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20.09.2009

Feriado particular


Ainda bem que ninguém precisa me acordar desse jeito no dia do meu aniversário.

Seria bom se a cor das letras dessa postagem fosse amarelo, porque esta é minha cor favorita. Mas, se nem minha festa de aniversário foi predominantemente amarela, este escrito não tem o compromisso de sê-lo.

Aniversário? Ah, sim, é o assunto do dia, apesar de você já terem me dado parabéns durante a semana passada inteira porque um de vocês, leitores, se lembrou do fato. Que seja! Aqui vão os detalhes. E, de amarelo, ao menos teremos a música.

Look at the stars (Olhe para as estrelas)
look how they shine for you (olhe como elas brilham por você)
and everything you do (e por tudo que você faz)
Yeah, they were all yellow (Yeah, elas eram todas amarelas)

Desde que meu irmão completou 14 lá no começinho de agosto, comecei a pensar em fazer algo diferente quando chegasse minha vez. Na verdade, nada grandioso como a de dois anos atrás (lembram da minha festa de 15 anos?), mas de significado. E decidi que o melhor a ser feito era que eu preparasse o meu próprio bolo.

Sim. Nada de encomendas ou algo nesse sentido, pelo menos neste ano. Na véspera do grande dia, fui com meus pais ao supermercado para capturar - claro que mediante o posterior pagamento no caixa - os ítens necessários. Várias latas de leite condensado, algumas caixinhas de creme de leite, copos de iogurte, suco de morango, refrigerante de garrafão, velinhas, colherzinhos e três pacotes de massa pronta para bolo... Sei, confesso, eu usei massa pronta. Mas vale porque não eliminou o fato de eu ter que preparar a coisa, só iria facilitar o processo.

O restante do que eu fosse precisar já tínhamos em casa.

I came along (Eu progredi)
I wrote a song for you (Eu escrevi uma canção para você)
And all the things you do (e tudo o que você faz)
And it was called "Yellow" (E a chamei de "Amarela")

So then a took my turn (Então esperei minha vez)
oh, what a thing to have done (Oh, que coisa para se fazer)
and it was all yellow (E era tudo amarelo)

Não fui à aula no dia 16 de setembro, apesar de ter acordado cedo o suficiente para poder vestir a farda e ir-me. Olha só a mocinha se dando ao luxo de fazer do dia de seu aniversário um feriado particular! Mas tudo bem, sei que aulas são importantes e é a primeira e última vez que faço isso. Alem do mais, as nuvens negras que ainda insistiam em fechar o céu concentravam-se lá, um dia lhes contarei porquê.

Aproveitei a manhã livre para ver se haviam comentários novos na última postagem, para ver o sol entrar dentro do quarto, para ver um pouco de TV Globinho e para simplesmente ficar deitada na minha cama relendo alguns capítulos daquele livro do José Lins do Rêgo, "Menino de Engenho". No final, haviam um trecho em que o narrador-personagem Carlinhos dizia que possui "uma alma mais velha do que o corpo". Sabem, acho que penso o mesmo de mim, só que em outro sentido.

Sendo sincera, o período entre as 6h e 1h da tarde foi de completa folga. Depois de eu ter tomado um banho em que fui obrigada a usar um saco plástico na cabeça (culpa da chapinha que fiz no sábado, antes de viajar para São Gonçalo) é que o trabalho começou.

Your skin, oh yeah, your skin and bones (Sua pele, oh yeah, sua pele e seus ossos)
Turn into something beautiful (Transformaram-se em algo bonito)
Do you know, you know I love you so? (Você sabe, você sabe que eu te amo tanto?)
You know I love you so. (Você sabe que eu te amo tanto)

Para o bolo, precisei da massa, de leite, alguns ovos e margarina. Depois é só ficar mexendo. Sabe, é nesse mexe mexe que a coisa vai sendo comemorada. É que o espírito do aniversário sempre se concentra naquele doce enorme que chamamos de bolo e trabalhar com ele é uma tarefa recheada de significado, de plenitude. Lembro-me que uma vez passou na Vila Sésamo o caso de um menino que preparou um bolo para a mãe no dia do aniversário dela. Ele deve saber o que é isso do qual estou falando. Com a vantagem de não ter utilizado massa pronta.

Foram feitos três bolos, dois de baunilha e um de laranja, um para cada pacote de massa. Eram as camadas do bolo maior, o de fato. Para o recheio, fiz brigadeiro, cuja receita eu aprendi com a Ísis Valverde quando ela apareceu em uma matéria de Video Show falando sobre os brigadeiros que a Camilla fazia para encantar o Ravi (quem aqui assistiu a "Caminho das ìndias"?). Se bem que eu tripliquei a porção, para dar se pudesse rechear entre cada camada. Deu, e sobrou! Parte ainda serviu de cobertura, mesmo eu tendo preparado dois pacotes de cobertura de chocolate para bolo.

Não foi um processo no qual minha presença foi initerrupta. Numa hora, eu saí para assistir à Vila Sésamo e, logo depois, conferir o filminho que passaria na Sessão da Tarde. Diga-se de passagem, foram experiências muito boas, ainda bem. Apesar disso, não deixei de a cada 5 minutos ir lá na cozinha para ver como caminhavam as coisas.

Voltando a falar na cobertura, a parte da receita que fez mais sujeira foi justo essa, principalmente na hora de salpicar o granulado colorido. É que inventei de colocá-lo só nas laterais... apesar de ter posto um pouco em cima também. O engraçado é que quase me esqueci das cerejas. Ah, as cerejas! E não se tratavam apenas de bolinhas de gelatina vermelha, eram cerejas mesmo, sem casca e sem sementes. A disposição delas no bolo parecia um jogo-da-velha só com círculos: 9 cerejas em 3 fileiras. E então minha obra prima foi para a geladeira aguardar o momento.

Com o resto dos ingredientes que comprei no dia anterior, fiz o simples e eterno danoninho caseiro, que, vocês sabem, conheci aqui na blogosfera. Confesso, ele é uma sensação! O resto do brigadeiro também foi usado para os comes e bebes. Não havia só doces: papai foi encomendar alguns salgadinhos. Sei que falei "Nada de encomendas!" mas eu tinha que abrir uma exceção quanto aos salgadinhos. Não sei fazê-los!

I swam across (Eu atravessei o oceano)
I jumped across for you (Eu superei barreiras por você)
oh, what a thing to do (oh, que coisa a se fazer)
'Cause you were all yellow (Pois você estava toda amarela)

I drew a line, I drew a line for you (Eu tracei uma linha, eu tracei uma linha por você)
oh, what a tring to do (oh, que coisa a se fazer)
and it was all yellow (e ela era toda amarela)

Your skin, oh yeah, your skin and bones (Sua pele, oh yeah, sua pele e seus ossos)
Turn into something beautiful (Transformaram-se em algo bonito)
Do you know, for you I'd bleed myself dry (Você sabe, por você daria todo o meu sangue)
For you I'd bleed myself dry. (Por você daria todo o meu sangue)

Foi feita uma festinha simples, para uns poucos convidados. Só estavam mesmo uns amigos da família e dois tios, mas foi ótimo, eu precisava de mais? Presentes, ah sim! Um conjunto de sabonetes, uma almofada do Pooh, uma blusa branca e um macaquinho muito meigo que pendurei no meu armário e que ficariam muito mais meigo pendurado no pescoço de alguém. Brevemente o levarei para o colégio a fim de testar essa hipótese.

O meu bolo, meu com toda a propriedade que o pronome pode expressar, foi logo levado para a mesa da sala, junto com os salgadinhos e o danoninho. Eu mesma posicionei as velas e as acendi, apesar de per passado o fósforo nas da lateral primeiro, o que acabou sendo um problema. Acabou caindo um pouco de parafina em cima do bolo e também do meu dedo.

Eu acendi, eu apagaria. Porém, meu irmão apagou tudo no meio do parabéns, com uma assoprada só. Ele gosta de fazer essa cortesia para mim, mas nunca se lembra de COMBINAR COMIGO! Só olhei para ele com o meu velho olhar mortal e, para não ter que fazer tudo de novo, acendi uma vela apenas e a apaguei em seguida, como gesto simbólico.

Parti o bolo, nada dessa história de primeiro pedaço. Apenas fui colocando nos pratinhos e era de quem chegasse primeiro. Finalmente pude ver como é que era a minha obra prima por dentro: Não gostei muito das camadas terem mais estado como arcos do que como retas, mas isso foi efeito da inchaço da massa no forno. Além do mais, não sou uma doceira profissional. Na verdade, o bolo estava muito bom e muito bonito. Perdi a conta de quantas vezes fiquei me gabando, dizendo que "Fui eu que fiz!".

It's true (É verdade)
Look how they shine for you (Olhe como elas brilham por você)
Look how they shine for you (Olhe como elas brilham por você)
Look how they shine for... (Olhe como elas brilham por...)

Look how they shine for you (Olhe como elas brilham por você)
Look how they shine for you (Olhe como elas brilham por você)
Look how they shine... (Olhe como elas brilham...)

Às 11 e alguma coisa da noite, saíram os últimos convidados. Ainda bem, apesar de aquele ser o dia da minha virade de ano pessoal e de eu achar que dias assim devem ser curtidos até o último minuto, no momento queria mesmo era a minha cama. Mas não dormi imediatamente: fiquei olhando como era bonito aparecer "Qua 16/09/2009" na telinha do Wookie.

O bolo diminuiu bastante durante a festa, e foi diminuindo ainda mais nos dias seguintes. Amanhã ele vai sumir porque vou comer o último pedaço no café-da-manhã. Pois é, agora tenho 17 anos, passou o tempo da bruxa me perseguir com sua roca de fiar e fuso afiado. Porém, novos fusos haverão pela frente. Fazer o quê? É a vida. Pelo menos haverão também novos bolos que, se sou eu que vou fazer ou não, acho que só nos meus próximos aniversários é que irei descobrir.

Look at the stars (Olhe para as estrelas)
look how they shine for you (Olhe como elas brilham por você)
and everything you do... (e por tudo que você faz...)

A música aqui postada é "Yellow", do Coldplay.


Escrito por JuLiAnA HeLeNa às 21h22
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