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04.10.2009

Jupolim Colorado


Wow!

A julgar pela data de hoje, eu deveria estar falando sobre o ENEM. Mas o que posso falar sobre ele agora, que apareceu um sujeito disposto a vender questões da prova por 500 mil ao Estadão? Que por causa disso a prova foi adiada e que os 40 milhões de inscritos vão ter de esperar até novembro? Esculhambação... Mas o que aconteceu, aconteceu. O que era prova vai virar um mero simulado e aqui vamos tratar de outro assunto, certo?

O prato do dia é heróis. Mais acertadamente, uma heroína, ou o processo de construção desta. Uma heroína de brincadeira, frise-se. Pois bem, sigam-me os bons!

Tudo começou num sábado, o primeiro do mês e que antecedia em dois dias o 7 de setembro. Por conta disso, o colégio ficou vazio de dar dó. Se bem que a vontade dos alunos de irem para lá em um sábado nunca é grande, apesar de se poder acordar com a reprise do CQC, fazer o que bem entender após às 12h40 e de quem vem nos dar aula são os professores mais adoráveis da equipe que toma de conta do 3º ano! Porém, falando em professores, parece que naquele dia eles também não queriam aparecer.

Nosso professor de Redação iria faltar por conta de um concurso ou algo do tipo, e estava se especulando que o de História Geral também não apareceria. Mas não contamos com dois desfalques, apenas o primeiro foi efetivo. Como perder um professor já era o bastante, disparei para o outro "Professor, o senhor salvou meu dia!" assim que ele entrou na nossa sala.

Mais outra semana veio e se foi, o no sábado seguinte foi a minha vez de dar o desfalque. Estava marcado para esse dia a saga de algumas horas em São Gonçalo. Ela mesma, a cidade da acessibilidade perfeita! Fui para o colégio como em qualquer dia letivo normal, mochila nas costas, fichário debaixo do braço e carteira da frente. Desta vez, o professor de Redação apareceu, deu-nos como tarefa de classe fazer um texto sobre a importãncia do trabalho. Eu já estava lá pelo quarto parágrafo quando me chamaram para descer com minhas coisas.

Se quisesse alisar o cabelo e arrumar-se a tempo de pegar um ônibus marcado para as 2h da tarde, eu teria que deixar o colégio antes do tempo, e aconteceu no meio de uma aula. Pior: O professor nem estava na sala, tinha saído para buscar uma coisa e deixou outro professor (que é um dos nossos, de Física) tomando conta de nós. Enquanto meus colegas continuavam em suas carteiras, eu estava com uma revista Veja nas mãos e sentindo o secador ficar exageradamente quente quando se aproxima demais.

Demorei mais alguns dia para aparecer novamente no meu colégio. Nuvens muito negras haviam pousado por lá e embotavam a alma da instituição e de todos que tinham a vida, de alguma forma, ligada a ela. Eu também senti esses dias sombrios. Na segunda, era mesmo para ninguém ir. Na terça já se podia, mas mesmo assim não fui. Na quarta, foi o meu aniversário. Pisei na minha sala apenas na quinta-feira, e ainda sentia-se o poder da tempestade. Era tanto que minha vontade era de abraçar todos os meus professores. Um dia, explicarei melhor essa situação.

Aliás, sabe aquele professor que "salvou meu dia"? Voltei a vê-lo ainda na sexta. Não tinha aula, foi no fim do expediente que ele me viu na sala ao lado e me entregou um resumo sobre o assunto abordado na quarta. Impérios Bizantino, Árabe e etc (mas e o Império Romano?). Pelo visto, ele havia sentido mesmo minha falta nos dias em que faltei...

Mal o vi no dia seguinte. A aula dele havia sido na sala de vídeo e passamos 50 minutos (na verdade, menos disso, porque o filme tinha duas fases) vendo o quanto que o personagem do Mel Gibson precisava de um pente. Na outra semana, esse meu professor de História Geral desapareceu, simplesmente. Mas o motivo impunha respeito: a filhinha dele nasceu e isso é algo especial o suficiente para fazer alguém tirar uns dias de licença.

Foi dada uma aula de Gramática na aula que era para ter sido a dele, na quarta. E nas proximidades dessa aula fiquei sabendo de uma história relacionada com a minha falta por causa daquela viagem. E com meu professor também. Uma boa colega me disse que ele perguntara por mim naquele dia. Ela, por sua vez, respondeu que eu tinha viajado. E ele: "E agora, quem vai salvar meu sábado?".

Meu professor de Literatura, às vezes, após nos perguntar se faltou alguém e nós negarmos, diz que quem faltou deve ser tão insignificante a ponto de não nos lembrarmos de haver alguma ausência. Bem, piscou isso na minha memória quando minha colega terminou o que estava contando. Só que não pensei, no instante seguinte, que "Definitivamente não sou insginificante! Até os professores se lembram de mim!!!". Na verdade, me detive no fato de que o "E agora..." poderia ter uma terminação diferente. Tipo... "quem irá me defender?"

E então entrou em cena: "Eu, Juliana Colorado!" *som triunfante ao fundo* Não contavam com minha astúcia?...

Logo após escutei esse meu "grito de guerra", vindo da boca de outro colega, grande amigo meu, que estava sentado mais atrás. Parece que gostaram da história. Minha boa colega me fala, desde então, "Salva ele" quando parece que alguém está "correndo perigo" e eu estou por perto, como quando um de nossos professores de Matemática fez uma brincadeira a respeito das provas do PSIU. E encolheu a nomenclatura: Era Juliana, virou Ju ou Juju Colorado. Eu prefiro Jupolim. Mas, por favor, não quero ser fraca e destrambelhada que nem o primeiro e único Chapolim Colorado, não, pelo amor de Deus! Vai que acerto o mocinho ao invés do bandido, com a marreta biônica...

Já na segunda-feira da semana seguinte, estava eu andando pelo pátio do colégio, já esperando meus pais chegarem para me buscarem, quando minhas anteninhas de vinil (o Chapolim tem esses apetrechos, porque a Jupolim não teria?) detectaram que na em uma das salas do térreo estava dando aula o meu professor de História Geral. Yes, he is back! Estranhamente, não reconheci a letra dele no quadro quando olhei a aula pela janelinha. Será que já derreteu a minha astúcia?

Provavelmente, ele era o único dos que eu conheço que ainda não sabia dessa história de Jupolim Colorado. Logo ele, que também é personagem disso tudo. Mas isso eu poderia corrigir daqui a dois dias, na vez de ele vir para o 3º A. Só não o fiz porque a minha boa amiga o chamou num momento durante a aula e contou "o básico" da história... Aproveitam-se de minha nobreza.

O básico era tudo, tudo o que precisava ser contado. O problema é eu, que sou muito prolixa. Um monte de aulas atrás, numa quinta-feira à tarde, eu tinha contado o caso da Jupolim Colorado para o professor de Redação. Eu mais minha amiga, que contou a parte da minha ausência naquele sábado "que precisava ser salvo". Ele até me indagou se queria que me chamasse com o sobrenome Colorado, mas eu neguei alegando que cairia melhor se fosse o professor de História Geral quem me chamasse assim. Bem, apenas outro pisco da minha memória.

A mim, restou apenas puxar a assunto quando a aula acabou e só restávamos eu e o professor na sala: "Ela já te contou tudo, né?", "Sobre o quê?", "Sobre Juju Colorado.". Ele só teceu um comentário e me perguntou se eu me sentia preparada para o ENEM. Respondi afirmativamente e ele foi embora (Será que o professor de História do Brasil também tocou violão no 3ºB? Me disseram que tocou no A, vou ver...).

Fui a última a sair, como sempre. No fim das contas, Jupolim Colorado foi uma divertida brincadeira, mas na vida real não sou heroína coisa alguma. Se eu fosse, seria bem capaz de eu me teletransportar de São Gonçalo para aparecer de novo em minha sala logo após o "E, agora, quem vai salvar meu sábado?". Bom, isso não aconteceu, claro. Sou apenas uma garota de 17 anos que ainda não fez nada de muito importante para melhorar o mundo, mas que pelo menos não atrapalha a vida de ninguém. Mas até que uma marreta biônica cairia muito bem agora, para que eu pudesse dar umas boas marretadas no cara que fez vazar a prova do ENEM. Marretadas daquelas bem doídas!

Enfim, peguei minhas coisas e também saí, deixando a sala sozinha com seus fantasmas.


P.S.: Pode parecer frescura, mas achei melhor publicar esta postagem apenas se eu conseguisse o consentimento do meu professor de História Geral. Nem precisa dizer que ontem ele me devolveu o rascunho do post com o papel dobrado de outra forma e em seguida me deu sinal de positivo. E cá está Jupolim Colorado!  



Escrito por JuLiAnA HeLeNa às 20h17
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O Olímpo é aqui, meu Deus!

Sexta-feira, dia 2, foi quando se deu uma das raras vezes em que cheguei do colégio e ainda deu tempo de eu assistir ao jornal. Também não é todo dia que vejo o Lula praticamente saltando de uma cadeira e depois tendo que carregar um lencinho na mão porque não deu para segurar o choro. Dia atípico esse...

Eu tinha 15 anos - não, eram 14, pois meu aniversário foi depois - quando ocorreu o Pan lá no Rio. Vou ter 22 quando ocorrer a Copa do Mundo de 2014 e terei 24 quando, no mesmo Rio de Janeiro, irão começar as Olimpíadas! Meus caros, este nosso país está podendo!

Agora é aprender a ter maior responsabilidade para que os eventos de daqui a 5, 7 anos sejam incrivelmente maravilhosos.


Escrito por JuLiAnA HeLeNa às 19h47
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